Grandes vilões das finanças: as promoções

Na semana passada falamos sobre porque entrar no cheque especial é extremamente prejudicial para a vida financeira das pessoas. Mas a verdade é que chegar nesta situação nada mais é do que consequência de uma vida financeira mal administrada. Afinal, só entra no cheque especial quem fere a lei básica das finanças: não gastar mais do que se ganha. E por que as pessoas ferem tanto esta lei?

Para alguns, o grande problema é a falta de controle: estas pessoas não tem o hábito de registrar as suas despesas e desta forma não se dão conta de que estão gastando mais do que o nível que os seus rendimentos permitem. Para outros, porém, o problema é mesmo comportamental. Estas pessoas sabem que gastam mais do que deveriam, mas não conseguem resistir ao impulso de consumir sem muito critério. Para elas, um bom antídoto é a utilização das 3 perguntas mágicas que já abordamos há alguns meses nesta coluna (https://www.ocomuniqueiro.com.br/2018/06/17/as-3-perguntas-magicas/)

O comércio, entretanto, não está lá muito preocupado com a saúde financeira dos seus clientes: sua grande preocupação é vender o máximo que puder, independentemente se quem compra vai ter dificuldades para pagar. E para isto, lança mão de inúmeros artifícios sempre visando estimular nas pessoas o impulso do consumismo. E uma das estratégias mais utilizadas é lançar mão de diversas promoções.

Por que as promoções funcionam tão bem? Isto acontece porque nossa mente recebe poderosos estímulos quando temos a sensação de estar aproveitando alguma oportunidade especial. Os comerciantes então tratam de anunciar as promoções de forma que nós entendamos que aquelas vantagens oferecidas são absolutamente imperdíveis. Como estes estímulos são mais fortes do que o aspecto racional, muitas pessoas são levadas a comprar determinados produtos que se pensassem duas vezes não comprariam, pois se pensassem mais profundamente chegariam à conclusão de que tais “vantagens” não são assim tão vantajosas.

Por exemplo: existem promoções do tipo “compre duas bermudas e ganhe 30% de desconto na segunda”. Parece interessante, não é mesmo? Mas será que todas as pessoas que irão aproveitar esta promoção estavam realmente precisando de uma segunda bermuda? Se uma pessoa comprou duas peças sendo que ela precisava apenas de uma, ela acabou gastando mais do que deveria, mesmo que esta bermuda adicional tenha sido comprada com desconto. Pior ainda são as pessoas que não precisavam comprar bermudas naquele determinado momento e foram levadas a gastar dinheiro para aproveitar esta “grande oportunidade”.

Outro caso são os de supermercados que anunciam preços extremamente baixos para alguns produtos, o que leva as pessoas a se dirigirem até estes estabelecimentos para fazer suas compras. Só que elas acabam não comprando somente o que está na promoção e aproveitam para comprar outros produtos de que precisam. Sabendo disto, os supermercados elevam o preço de outros itens para compensar o desconto dado nos produtos anunciados. No final das contas, esta compra pode ficar mais cara do que se as pessoas fossem a um supermercado sem grandes descontos, mas que oferecem produtos a preços baixos de forma mais constante. Há casos de empresas com políticas de não oferecer grandes descontos que acabaram falindo mesmo tendo na média preços mais baixos do que os concorrentes.

Brasileiro gosta bastante de promoção, e isto explica um pouco porque nosso povo tem tanta dificuldade para controlar suas finanças. Se você é destes que não resiste a uma oportunidade imperdível, cuidado! Quando se deparar com algo do tipo, respire fundo e pense com bastante cuidado se aquela “vantagem” vale tanto a pena assim.

Até a próxima!

 

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